Meu nome é Juliana, sou paulistana, filha de comerciantes. Pai baiano, mãe mineira.

Cresci vendo meus pais trabalharem em seus negócios e sabia que um dia teria o meu também.

Me formei como atriz mas, após algum tempo, desisti e fui em busca de empregos que me dessem maior segurança financeira.

Fiquei por alguns anos trabalhando em “empregos que pagam o aluguel” e em 2012 estava completamente infeliz e longe do meu propósito, que era ser livre para criar e fazer disso a minha vida.

Tomei coragem e pedi demissão para buscar o sonho antigo de criança de ter meu próprio negócio.

Fiquei alguns meses pensando no que poderia fazer e, no meio deste processo, surgiu uma viagem para a Europa.

Seria assistente de um artista (na época meu namorado) em um trabalho em Londres e Paris.

Foram dias de muita inspiração e ir para Paris faria com que eu cumprisse uma promessa que havia feito a mim mesma.

Tive a sorte de conviver com um curador de arte chamado Dario Bueno, que sempre me incentivou muito como artista. Um dia ele fez uma exposição sobre o Père-Lachaise, um cemitério em Paris onde estão enterrados grandes nomes da arte e, por algum motivo, meus pais não me levaram para ver a exposição. Prometi pra mim mesma que um dia eu veria tudo ao vivo.

Este dia chegou!
Depois de vários dias de viagem, fui conhecer o cemitério. Só que neste mesmo dia eu estava me sentindo uma fracassada, sem perspectiva.

Estava ficando sem dinheiro e a ideia de realizar meu sonho parecia, naquela altura, ingenuidade da minha parte. Tomada por um sentimento derrotista, visitei o Père-Lachaise. Andando pelas ruas do cemitério um túmulo me chamou atenção.

Era um dos mais simples, só que vi de longe que tinha um papel com uma pedra em cima.

Quando me aproximei vi que era o túmulo do pintor italiano Amedeo Modigliani.

Nesse papel, uma de suas obras com a seguinte frase escrita:

“Seu real dever é salvar o seu sonho”.

E a partir daquele dia, em outubro de 2012, eu decidi que nada me faria desistir de salvar aquilo que acredito.

Voltei para o Brasil e decidi que teria um projeto em que faria só banquetas.

E é isso que a banqueta representa para mim: Possibilidade.

Uma banqueta nunca é só uma banqueta. Como na casa da minha avó, em que era mesa pra servir petiscos, um assento para o neto que chegava pra jantar, o tambor do meu avô...

Desta memória afetiva surgiu a certeza de que era o que tinha que fazer.

Pesquisei e percebi que não havia nenhum ateliê na época dedicado apenas às banquetas e enxerguei nisso uma oportunidade.

Em novembro de 2012 o Ju Amora nascia e, com o pouco dinheiro que me restava, comprei tintas e duas banquetas.

De lá pra cá foram mais de 4 mil banquetas pintadas à mão por mim.

Já enfrentei grandes dificuldades, já fui parar na UTI de tanto trabalhar, quase fali, pessoas não acreditaram no meu trabalho... mas nunca deixei de acreditar que seria possível. Nos dias mais difíceis, recorria à frase que me inspirou a começar.

O seu real dever é salvar o seu sonho.

E tenho salvado. Com o Ju Amora pude conhecer pessoas incríveis, países diferentes. Já montei um ateliê na terra natal do Modigliani para minha campanha internacional pela Westwing Itália. Já tive loja e hoje sigo produzindo da forma mais honesta com o meu próprio sonho, com todo afeto em cada peça que eu crio.

E é exatamente isso que gostaria de dividir.
Proximidade e afeto. Algo pensado e feito com carinho, em um mundo tomado pela massificação das coisas. Ter algo feito á mão e único é demais!


Sejam muito bem vindos ao Ju Amora, este projeto pelo qual tenho tanto amor e que divido aqui com vocês.